Novo aplicativo quer solucionar o problema de estacionar nas grandes cidades

Em uma cidade caótica, cheia e caríssima como São Paulo, há cada vez menos motivos para andar de carro (e 6% dos paulistanos parecem ter desistido dele nos últimos dois anos). O principal motivo, me parece, é que as alternativas têm melhorado, e não falo apenas do transporte público, com seus corredores de ônibus e metrô (em lenta expansão), ou as ciclovias: se você quer ser transportado confortavelmente, serviços como 99taxi, Easytaxi e agora o Uber melhoraram bastante a experiência, e ainda lhe dão tempo de resolver outras coisas no caminho ao seu destino, com smartphone em mãos.

Mas bem, se você quiser insistir em usar um carro, dá pra dizer que apps como o Waze ou os comandos de voz do Google Now também ajudaram a deixar a coisa toda menos sofrida. Faltaria agora resolver a questão do estacionamento, e é justamente o que se propõe o Luxe, novo aplicativo do Uber. Lançado na última semana nos Estados Unidos – por enquanto apenas em San Francisco – ele funciona como um valet-parking sob demanda, onde você quiser. Não é a opção mais barata do mundo, é claro, mas a ideia é interessante.

Funciona assim: você quer ir para um restaurante, e acha que lá não tem manobrista, ou o estacionamento perto é muito caro, deixar na rua é perigoso, ou há um valet que é conhecido por parar o carro em qualquer lugar. Daí você abre o Luxe no seu smartphone, indica o endereço, e solicita um manobrista. Ele chega no local combinado, de moto ou bicicleta, em no máximo 10 minutos, ou na hora que você marcar. Como nos apps de táxi, você vê o nome e uma foto da pessoa, onde ela está e pode mandar mensagens no caminho. Você deixa o carro com o manobrista de luxo e paga 5 dólares a hora – o máximo é 15, para a diária.

É bastante caro, aparentemente, mas é menos que o preço cobrado em San Francisco, e por isso ele já está atraindo bastante gente. E há duas vantagens extras: o carro parado com o Luxe fica em um estacionamento conveniado (mais seguro), você tem a garantia que o manobrista foi treinado e há um seguro generoso caso qualquer coisa aconteça. Além disso, já há acordos com alguns restaurantes, e quando você faz a reserva, (com outro app, tipo o OpenTable) já ganha uma horinha com o Luxe.

Eu consigo ver um serviço assim funcionando em São Paulo, onde o preço do estacionamento têm aumentado ano a ano, acima da inflação. Parece estranho entregar a chave para um deseconhecido, mas experiências com o AirBnB mostram que as pessoas tendem a confiar nas outras se tudo for combinado por um aplicativo com foto e perfil no Facebook.

A minha questão com o Luxe, na verdade, é que a conta parece não fechar. O Luxe tem de pagar a infra-estrutura e desenvolvimento do app, o salário ou comissão do manobrista, o seguro e o estacionamento em si, além de gerar algum lucro. Por 5 dólares a hora, ou a escala é enorme – e há vários manobristas cuidando de áreas pequenas, mas muito movimentadas –, ou alguém recebe muito pouco. Desconfio que o próprio manobrista, o elo fraco.

Seja como for, não duvido que a moda pegue, ao menos entre os endinheirados do Vale do Silício e vizinhanças. Há uma série de aplicativos excelentes surgindo agora para resolver problemas de “classe-alta-sofre, e o Uber, que começou com apenas carros de luxo e motoristas que chamam o passageiro de senhor, é a maior força. Avaliada em quase 20 bilhões de dólares e com pesados investimentos do Google, o Uber está toda hora experimentando com outras formas de usar sua frota para levar coisas além de pessoas. Semana passada, era possível pedir o delivery de vacinas anti-gripe (com direito a enfermeira para aplicar). No futuro próximo, o CEO já avisou: será o primeiro a adotar o carro que dirige sozinho. Mas aí você não vai precisar de manobrista (ou motorista) mesmo.

Fonte: Yahoo

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