Pane derruba faturamento da Allianz no país   

A seguradora alemã Allianz perdeu quase 40% do faturamento de seguros de sua operação brasileira no primeiro semestre decorrente de problemas na troca de seu sistema operacional no começo deste ano. Clientes ficaram sem atendimento e corretores não conseguiam fazer negócios. A produção da seguradora já voltou a crescer no segundo semestre, segundo a direção da companhia. Mas o dano que o episódio causou à imagem da seguradora deve exigir um tempo maior para ser reparado.

O faturamento de janeiro a junho foi de R$ 1,1 bilhão, segundo dados da Susep, órgão regulador do setor. Eles não incluem o seguro saúde, ramo regulado pela Agência Nacional de Saúde (ANS), cujos dados são defasados. Segundo a Allianz, a receita de saúde foi de R$ 363 milhões no período, com um avanço de 9% em 12 meses. Essa carteira responde por 20% das receitas da seguradora.

O novo presidente da Allianz Brasil, o espanhol Miguel Pérez Jaime, tem acompanhado os números faturados dia a dia. Segundo ele, os problemas com o novo sistema foram concentrados nos primeiros meses do ano e a média diária de vendas vem subindo desde julho. No seguro de automóvel, que responde por 50% do faturamento da companhia, a média diária de vendas subiu de R$ 5,6 milhões em junho para R$ 7,2 milhões em agosto, exemplifica. “Vamos diminuir bem esse número [de queda de 40% da receita]. O importante é a tendência, que é de melhora”, afirma. Ele estima que o faturamento feche o ano com recuo de 5%.

Segundo Jaime, a companhia ainda deve apresentar lucro neste ano, mais devido ao resultado financeiro do que ao operacional. Segundo o executivo, o mix de receitas da Allianz no país é composto aproximadamente por 60% de renovações de apólices e 40% de novos negócios. A perda de receita no primeiro semestre deu-se basicamente em novos negócios.

Com esse desempenho, a Allianz caiu da sétima posição no ranking entre as maiores seguradoras do Brasil, no fim de 2013, para a décima primeira posição, em junho. Abrindo os números por segmento, a perda de faturamento da maior carteira, de automóveis, foi de 37% de janeiro a junho, segundo a Susep. Ainda entre as maiores carteiras da seguradora, a de seguros patrimoniais recuou 52% e a de responsabilidades, 27%.

Aproximadamente 96% das receitas da seguradora vêm de corretores. No começo do ano, quando o novo sistema estava sendo implementado, muitos corretores tiveram problemas para conseguir falar com a companhia e para emitir apólices. Houve problemas também na regulação de sinistros, uma vez que os processos não eram encontrados, relatam corretores ouvidos pelo Valor. Jaime diz, porém, que nenhuma indenização deixou de ser paga.

O executivo de uma grande corretora avalia que o maior dano para a companhia é de imagem. Segundo ele, há clientes corporativos que não querem ouvir falar na seguradora, depois que seus funcionários tiveram problemas para usar o plano de saúde. No caso do seguro de saúde especificamente, além dos problemas causados pela mudança de sistema, a companhia teve a venda de alguns planos suspensos pela ANS por descumprimento de prazos e negativas indevidas de coberturas, juntamente com os planos de outras empresas.

O mesmo sistema operacional implementado no Brasil já é usado nas unidades da Allianz em outros países, como Espanha, Portugal e Colômbia, que apresentaram redução de despesas administrativas. Segundo Jaime, também houve problemas na implementação nesses países, e era esperado que o mesmo acontecesse aqui.

“Na Colômbia, o primeiro ano após a implementação foi difícil, mas agora a operação cresce 30%. É a seguradora que mais cresce no país”, afirma. Segundo o executivo, a troca de sistema era necessária para permitir a expansão da operação de varejo no Brasil. Antes, a seguradora tinha sete sistemas operacionais no país e agora tem apenas um. “A redução de despesa não é o mais importante, mas sim crescer de forma organizada”, diz.

Segundo Jaime, o acionista entende o menor retorno da operação no Brasil, por conta da fase de investimento. “Acredito que em 2015 vamos crescer em linha com o mercado e em 2016 voltar a crescer de forma sustentável”, afirma. Com isso, a meta que a matriz tinha para a operação brasileira, de faturamento de R$ 5,8 bilhões em 2015, deve ser postergada.

Fonte: Valor Econômico/Thais Folego | De São Paulo

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